142. Pela sua revelação, «Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (1). A resposta adequada a este convite é a fé.
Terceira Parte - A Vida em Cristo
Segunda Secção - Os Dez Mandamentos
O DECÁLOGO NA SAGRADA ESCRITURA
2063. A Aliança e o diálogo entre Deus e o homem são ainda comprovados pelo facto de todas as obrigações serem enunciadas em primeira pessoa ("Eu sou o Senhor...") e dirigidas a um outro sujeito ("tu..."). Em todos os mandamentos de Deus, é um pronome pessoal singular que designa o destinatário. Ao mesmo tempo que a todo o povo, Deus faz conhecer a sua vontade a cada um em particular:
«O Senhor prescreveu o amor para com Deus e ensinou a justiça para com o próximo, para que o homem não fosse nem injusto nem indigno de Deus. Assim, através do Decálogo, Deus preparava o homem para se tornar seu amigo e ter um só coração com o seu próximo [...]. As palavras do Decálogo continuam a ser para nós [cristãos] o que eram; longe de serem abolidas, elas receberam amplificação e desenvolvimento, com o facto da vinda do Senhor na carne» (15).
Quarta Parte - A Oração Cristã
Primeira Secção - A Oração na Vida Cristã
Capítulo Primeiro - A Revelação da Oração
Artigo 1 - No Antigo Testamento
MOISÉS E A ORAÇÃO DO MEDIADOR
2576. «O Senhor falava com Moisés frente a frente, como um homem fala com o seu amigo»
(Ex 33, 11). A oração de Moisés é o tipo da contemplação, graças à qual o servo de
Deus se mantém fiel à sua missão. Moisés «conversa» muitas vezes e demoradamente com o Senhor, subindo à montanha para O ouvir e O implorar, descendo depois até junto do
povo para lhe repetir as palavras do seu Deus e o guiar. «Eu estabeleci-o sobre
toda a minha casa! Falo com ele frente a frente, à vista e não por enigmas» (Nm
12, 7-8), porque «Moisés era um homem deveras humilde, mais que todos os homens
que há sobre a face da terra» (Nm 12, 3).